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Uretrite: contos de Fonjic
 

Puthedo, o índio d’Ascurra

                                                                                    Fonjic

                                                                                    4:03 am – 29/01/07 – em casa

 

            Quando nasci minha mãe olhou pra mim e disse que nunca vira bebê mais feio. Meu pai era um índio véio que fora expulso da aldeia onde vivia perto da Palhoça e terminara seus dias na agradável Ascurra.

            O sangue índio fervia em minhas veias misturado com a ascendância italiana de minha mãe. Ela já tivera seis filhos em seu casamento, mas eu era temporão e extra-oficial.

            O marido dela me acolheu como filho, sem se importar com os boatos e logo acostumei-me a chamar-lhe de pai. Meu pai verdadeiro, o velho índio, depois de expulso da aldeia passava seus dias no boteco enchendo a cara e pagava pela pinga fazendo pequenos serviços. Praticamente não falava o português, mas isso não era problema porque a maior parte da italianada também não. Foi num desses serviços que foi consertar uma pia lá em casa e eu nasci, com uma diferença de dez anos pros outros irmãos.

            Giselda, a mais velha tinha dezoito quando nasci. Depois vinha Péterson, com dezessete, Benito com quinze, Bento com treze, Lucinda com doze e Amália com dez. Foi com Amália que perdi minha virigindade, já que ela foi a única da família que nunca casou. Ela tinha vinte e três e eu treze e ela queria se vingar que de algum namorado idiota.

            O azar foi tanto, porém, que depois de dar pro cara por mais de oito anos tentando engravidar e obrigá-lo a casar com ela, acabou engravidando justo de mim, na única foda que demos.

            Nasceu um bugrinho com cara de índio e a família ficou desconfiada. Cidade perquena é foda e logo surgiu um burburinho. Meu pai começou a me dar umas indiretas de que sabia que eu não era filho dele e o corno que virara noivo da minha irmã terminou o noivado e se decidiu a me matar.

            Peguei uns trocados e o que tinha e me mandei de casa aos catorze anos.

            É verdade que não era só com o corno quase cunhado que tive problemas. Depois que Amália me abençou com a revelação do segredo vulval, foi como se todas as portas e vulvas se abrissem para mim.

            Nos nove meses que antecederam meu degredo comi metade da cidade, o que correspondia a quase toda a população feminina, que era majoritária. Dizem as más línguas que eu havia comido até o sacristão corcunda da igreja, numa noite em que eu bebera demais e apagara na capela dedicada a um santo qualquer. O padre estava viajando e o sacristão andava a perigo com saudades do bofe, mas por mais que eu tenha bebido e não lembre nada, juro de pé junto que o sacristão eu não comi.

            Aliás, prova de que não comi é que o sacristão nunca engravidou, o que aconteceu com boa parte das moças que passaram por mim. Até minha sobrinha Jussara, que tinha a mesma idade que eu  pois era filha de Giselda, minha irmã mais velha, foi só eu comer uma vez e pimba. A benção que Amália me concedera eu passara adiante e a conservara em família, desviriginando a porbrezinha. Semen de índio é uma porra, é que nem super-bond, cola em tudo, é forte como um cão.

            Lucinda, uma de minhas irmãs, foi minha frustração. Além de casada era fiel ao marido, coisa rara na pequena Ascurra. Aliás, com um nome desse, não era de se esperar outra coisa da cidade. Por mais que eu insistisse, nunca foi além de uns beijos e esfregadas de pernas, coxas e uns apertões nos peitos e bunda. Era fiel, e se recusou firmmente a trepar comigo. Foi minha maior desilusão amorosa.

            Depois disso tudo, me embrenhei no mato e fugi da cidade no meio da madrugada determinado a vir para a capital e escapar do linchamento. Só fui chegar aqui quarenta anos depois, devido a uma série de ocorridos no caminho. Mas isso já é outra estória.



 Escrito por Anacreonte às 23h28 [ ] [ envie esta mensagem ]