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Uretrite: contos de Fonjic
 

Totó

                                                                                    Fonjic

 

 

            Kerouac, certa vez, recebeu uma carta de Neil Cassady que batizou de “The real fucking letter”, onde Cassady contava como seduziu uma garota no onibus e depois se mandou porque a irmã dela cortou o romance quando chegaram no terminal de ônibus. Em homenagem a carta eu havia escrito um longo poema épico em inglês intitulado: The fucking bladder night. Apesar do título, nenhuma bexiga foi molestada sexualmente e depois de meses de trabalho eu precisava comemorar.

            Mandei mulher e filhos numa viagem de férias (beto carrero uôudi, a disneylândia brasileira) e fui para o mercado me abastecer.

            Foi a lista de compras perfeita, the real fucking shopping list, 1 fronha, 1 mouse ótico, 1 litro de suco de laranja, 1 litro de vodka nacional de boa qualidade para misturar no suco e, para tomar purinha, meio litro de Stolichnaya, a deusa russa das vodkas, vulga totó.

            Eu conhecera Stolichnaya na adolescência, peitos pontudos e duros como pedra. Sua pela era metálica e parecia ecoar quando se encostava nela. Metade humana, metade ciborgue e metade deusa do limiar etílico, foi minha primeira paixão avassaladora.

            Eu namorava na época um rampeira chamada Evelin. Evelin era gostosa de cabo a rabo, com cabo no rabo ou sem. Com roupas era só uma dessas loiras clichê peitudas de olho claro e pele pálida, mas era quando estava pelada que a coisa esquentava.

            Evelin tinha uma particularidade que a fazia especial e única: longos e compridos lábios carnudos. E estou me referindo aos lábios de baixo, não os de cima. Sua buceta tinha longas abas de abano, que me deixavam terrivelmente excitado. De inicio, gostava de lhe chupar a xana e usar os lábios vaginais para cobrir meu nariz. Eles eram tão longos que chegava a sobrar uma pontas em cima dos olhos. Aquilo me excitava mais e mais e eu puxava cada vez mais aqueles longos lábios de carnes, que cada vez ficavam mais longos.

            Evelin, que sempre se envergonhara deles, se sentia feliz pelo meu tesão por aqueles bifes pendurados. E para me presentear provou que me amava botando silicone neles e enxertando pedaços de pele retirados da bunda para alongá-los ainda mais.

            Ela fez isso várias vezes e me fazia progressivamente mais feliz a cada aumento, de forma que em nossa última foda seus lábios já cobriam minha cabeça e aqueciam minhas orelhas quando eu lhe fazia o cunilínguo. Ela se mutilara por mim, mas não se arrependia, pois tinha a certeza de que jamais nos separaríamos.

            Foi aí que conheci Stolichnaya. Silhueta robótica, pele cianótica e mente gótica. Sobre sua buceta de carne crua e vermelha cintilava um artefato metálico enigmático. Era uma verdadeira máquina de prazer e gratificação. Assim que a vi descobri que a amava. Ela olhou para mim e disse que eu era aceitável. Mandei Evelin às favas, com muita educação, é claro, uma vez que ela havia dedicado tanto de sua vida e transformado seu corpo por mim. Liguei para seu celular e deixei uma mensagem de voz dizendo que estava tudo acabado e eu não a queria ver mais. Não sei se ela recebeu bem a notíca, mas éramos quase adultos, ela devia saber lidar com isso.

            Mal desliguei o telefone deixando a mensagem e mergulhei nas pernas da Totó. Era uma vulva mecanotrix última geração, coisa de outro mundo. Eu não sabia se chorava ou ria, pois aquela vulva mecânica emulava mais de 1500 movimentos diferentes. Eu tirara a sorte grande e Totó era uma daquelas musas que você não pode vacilar, ou larga tudo por elas, ou perde para sempre a chance.

            Havia um pequenao furinho em cima da vulva robótica de Stolichnaya. Perguntei a ela para que servia aquilo. Ela pegou um lápis e enfiou lá dentro, fazendo um barulho intenso de motor elétrico e tirando em seguida um lápis perfeitamente apontado.

            Era  a mulher perfeita, definitiva, última. Vendo que eu me excitava com aquilo ela abusava do expediente, e toda vez que queria foder enfiava um lápis no furinho e ele saía todo apontadinho, perfeito. Era tiro e queda, lá estava eu, pronto para ação, só em ver aquilo.Eu era jovem e a vida valia a pena.

            Foi então que os lápis acabaram. E o que quer que fosse que tinha naquele motor elétrico, já não era tão afiado. E eu precisava me livrar da culpa que me imputavam pelo suicídio de Evelin. As coisas começaram a ruir e o futuro ficar sombrio.

            Chgeguei em casa um dia e Stolichnaya não estava lá. Nunca mais voltou.. Nunca soube o que aconteceu com ela. As mulheres de minha vida sempre foram mais espertas do que eu para saberem se mandar quando a coisa começava a não dar certo.

 



 Escrito por Anacreonte às 01h07 [ ] [ envie esta mensagem ]