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Uretrite: contos de Fonjic
 

O orientalismo de Shakira e a bolas de meu avô


Que me condene aquele que nunca dançou agarrado uma música lenta com uma garrafa de Stolischaya. O clima romântico, os hormônios gritando, a garrafa esquia e perfumada. No rótulo está escrito “vodka russa genuína”. Perfeita. Simplesmente isso e nada mais. Ela é geunína, é russa e, por fim, é vokda. O que mais um homem poderia querer de uma mulher ou bebida?
Sirvo uma dose num copo apropriado e os aromas alcólicos começam a evaporar e turvar as paredes perfeitas do vidro. Não é a toa que os anglófilos denominam essas bebidas de spirits. Sinto nos aromas que flutuam as mulheres russas que ali abrem seu caminho para a realidade, dúzias delas, milhares. Kounikovas, Kabayevas, Kiras, Lavrovas e Ekaterinas.
Na tevê um clipe de música bagaceira e chata com duas mulheres se esfregando. Tiro o som e fico curtindo. A esfregação rola solta e tem um clima meio árabe, com um monte de panos voando e nenhum sentido.
Vou até a estante e pego as bolas de meu avô. Aqueles testículos se tornaram, literalmente, as jóias da família. Estão ressecados para serem conservados, o que deu o maior trabalho. A idéia original era faze ruma espécie de elixir com eles. Reza a lenda que se deixados de molho na cachaça e vodka e a pessoa tomar, consegueu foder dois dias seguidos sem parar.
A coisa parecia meio nojenta, mas e promessa era tentadora. E tinha que ser de um parente próximo, quanto mais próximo melhor o efeito. Era como aqueles talismãs nojentos da idade média, a mão da glória, feita da mão cortada de um homem enforcado, que tinha o poder de manter adormecido todos sob seu efeito enquanto seus dedos continuem acesos pegando fogo. Há uma dessas no famoso filme Wicker Man, homem de palha, entre uma dança sem roupas da Britt Eckland ou outra qualquer. Ou ainda a luz dos ladrões, feita dos dedos de abortados, que não nunca apagavam e não brilhavam, fazendo com que o ladrão pudesse ver sem ser visto.
E por fim, as bolas do ancestral, cujo poder vocês já sabem.
Mas o fato é que depois de todo o trabalho sujo, subornar o pessoal da funerária, cortar os testículos do morto, pagar um sujeito para secá-los, enfim, carregá-los por aí para baixo e para cima, acabei arregando. Não que tenha me batido um surto de racionalidade ou respeito pelo morto, foi viadagem mesmo, fiquei com nojo de mergulhar aquele treco na minha bebida e tomá-la depois. Só de pensar na minha Stolichnaya com tal coisa boiando me dava arrepios e uma convulsão no estômago. Nem pensar.
Dessa forma acabei ficando com as bolas como um amuleto da sorte, como um trevo de quatro folhas ou o olho paterno do herói de O cheiro do ralo, o primeiro filme nacional realmente bom que já foi feito.
Não funcionou muito, pois a única mulher que eu ainda comia se sentiu incomodada quando eu insiti que só a comeria depois que ele desse uma esfregada na bola do velho para dar sorte. Ela ficou horrorizada. Tentei explicar racionalmente que era uma tradição, como coçar a barriga do buda, mas ela se foi e nunca mais quis me ver. Quem pode entender as mulheres.
De forma que agora, sempre que aparece uma gostosa na tevê, ou mesmo uma nem tão gostosa, eu compartilho com as bolas ancestrais. Há um vínculo de sangue com elas. E cada bunda na tevê fica mais sensual. Acho que descobri finalmente o poder ali oculto.


 Escrito por Anacreonte às 04h22 [ ] [ envie esta mensagem ]