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Uretrite: contos de Fonjic
 

Murmúrios Do Pântano - Xanadu, ostra azul e a orgia na selva


É bem verdade que uma coisa não tem a ver
com outra, afinal Xanadu é uma música do
RUSH, Ostra Azul é o nome do bar gay em
Loucademia de Polícia (tá bom, o filme é meio
furreca, concordo) e orgia na selva todo mundo
sabe o que é (pelos menos quem já esteve numa orgia ou
numa selva deve entender do que falo), mas como Xanadu é
um título muito viado, a coisa toda parece ter algum sentido.
O tópico de hoje é a adaptação do poema Kubla Khan de
Coleridge feita pelo trio canadense no álbum A Farewell to
Kings lá pelos idos de 1977, um ano em que boas coisas
vieram ao mundo.
Samuel Taylor Coleridge, como eu disse anteriormente,
nasceu em 1772, morreu em1834 e escreveu um de seus
mais célebres poemas chapado com o ópio que lhe era
fornecido por um antepassado de John Constantine (quem
não acredita que vá comprovar na Hellblazer 105). A música
Xanadu é inspirada nesta poema, mais precisamente na
primeira das quatro partes que o compõem.
O poema não é muito longo, para o padrão da época, é claro,
tem 155 linhas. Na primeira parte o poema versa sobre a
cidade de Xanadu, construída por Kubla Khan (era neto do
conquistador mongol Gengis Khan e governou a China no
século XIII, conquistando a região do sul e antecedendo o
governo da dinastia Ming). O que confere força e vitalidade
ao poema são a criatividade de Coleridge (que beira o
delírio) e o dinamismo das descrições, que invés de extáticas
revelações de detalhes, traz um conjunto de frases sintéticas
que expressa a cidade através de ações, que pode ser notado
pela participação de um verbo em cada descrição: o domo
de prazer é criado por Kubla Khan, onde o rio sagrado
Alpha corre, com torres que foram erguidas ao redor etc.
Isto é, a grande sacada que fez com que Coleridge se
tornasse um grande poeta invés de cair no esquecimento, foi
ele ter usado ações para descrever o local, como se tudo
estivesse vivo e em movimento. Isso e a imaginação
delirante.
Em seguida temos a aparição de uma mulher que canta e um
“eu” aparece nessa narrativa, dizendo o quanto gostaria de
reviver dentro de si aquela música, que engatilha o alerta
que encerra esta parte:
And all who heard should see them there,
and all should cry, Beware! Beware!
His flashing eyes, his floating hair!
Weave a circle round him thrice,
And close your eyes with holy dread,
For he on honeydew hath fed,
And drunk the milk of Paradise.
Em seguida, na segunda parte intitulada The Pains of Sleep,
ele descreve os horrores de noites sem dormir, repleta de
horrores e sofrimentos (destaque na palavra yester-night,
uma bela forma para dizer a noite de ontem). No Limbo,
terceira parte, ele chega em vocês-sabem-aonde e encerra o
poema na quarta parte, que soa como uma desesperada
chegada ao inferno enquanto se contempla o trono do
paraíso. É um final estranho, mas é isso que dá sair
escrevendo sem esperar o efeito do ópio passar.
Já em Xanadu do RUSH, não tem nada dessas partes finais,
até porque só se fala de Kubla Khan e da cidade de Xanadu
na primeira parte. A música é uma das mais belas e
sombrias do grupo, embora não dispense os momentos de
pico, onde o som se torna menos sombrio e mais animado.
Bem, basta dizer que é uma música doa anos setenta, de
doze minutos e cheia de mudanças de ritmo, acho que deu
pra entender.
Eu tomei o cuidado de dizer logo acima que a música era
inspirada no poema porque esta não é, em verdade, uma
mera transição do poema para música, mas sim uma espécie
de continuação ou repetição da história, onde o “eu” da
música, invés de vislumbrar em sonhos a Xanadu, a lê em
um velho livro (de poemas do Coleridge, presume-se) e
parte para descobri-la. Neil Peart, como bom literato
(apesar de não ter concluído seus estudos por causa da
carreira, ele é leitor compulsivo, daqueles que usa apoiador
de jornal para ler durante o café da manhã!!!) observou bem
o velho Coleridge e aprendeu a lição, como se pode
perceber no primeiro verso da música:
To seek the sacred river Alph
To walk the caves of ice
to break my fast on honey dew
And drink the milk of paradise...
Perceberam? O mais importante está aí: as visões criativas
de Coleridge(não todas, é claro, pois o poema é bem maior
que a letra da música) e o elemento de ação nas descrições.
Ainda mais interessante, é que ele faz nessa estrofe uma
síntese da primeira parte do poema, pois os dois versos
primeiros são do início do poema e o terceiro e quarto são
do fim da primeira parte. Peart foi muito feliz em sua tarefa
ao perceber e se utilizar desses pontos fortes do poema
original. Pena que o resto do poema tenha sido descartado
nesse processo, principalmente a segunda parte (quem sabe
não poderia alguma bondosa banda compor uma música
chamada The pains of sleep, é um bom nome).
Seguindo na música, o narrador que partiu em busca e
chegou à Xanadu se torna imortal e vê milhares de anos
passarem, aprisionado em Xanadu. Quanto ao final,
confesso que prefiro o final da música ao do poema, pois
repete o tema posto ao fim da primeira parte do poema (que
no poema está na terceira pessoa e na música, na primeira, o
que confere mais força à fala) e é mais trágico:

To taste my bitter triumph
As a mad immortal man
Nevermore shall I return
Escape these caves of ice
For I have dined on honey dew
And drunk the milk of paradise


Aí, de resto, todos sabem o que aconteceu. O delegado nemum-
pouco-gentil apareceu batendo, reclamou que Coleridge
e Rush estavam tomando “aquela mistura” e usando
“aqueles cabelos” e acabou com tudo. Ai dos vencidos!,
diriam os romanos. Esse fim de coluna pode não ter feito
muito sentido, mas se o Coleridge pode, porque não eu.

 Escrito por Fonjic às 03h55 [ ] [ envie esta mensagem ]