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Uretrite: contos de Fonjic
 

Phoder é fhoder


Eu andava obcecado com a idéia de escrever um filme de terror. Não só escrever, queria também filmar, dirigir e produzir, mas embora eu não julgasse possuir a competência para estes últimos, me torturava com a obrigatoriedade de ao menos escrever o roteiro para que alguém mais capacitado o filmasse posteriormente.
Minha primeira tentativa foi com um conto em que um cara assassina a esposa paraplégica e sai de férias. Mas minha cabeça leu muito Edgar Allan Poe para escapar sua lúgubre influência e optei por narrar o conto no ponto de vista do marido, enlouquecido e torturado pela doença da mulher, até que decide matá-la.
O conto foi bem recebido e logo fiz um roteiro. Me pagaram cem pila por ele, o que foi uma verdadeira fortuna para alguém que nunca tinha ganho nada escrevendo... e nunca mais ganhou nada depois, a propósito.
Mas quando fui ver, a adaptação sofrera ligeiras modificações. O produtor ficara comovido demais com o drama e resolvera fazer, ao invés de um filme de suspense recheado de sangue e cenas macabras, um espetáculo de dança entitulado “Phoder”.
Fui chamado para ver a pré-estréia e a coisa até que ficou bonita, principalmente as partes do ator se esfregando na dançarina paraplégica, em que se demosntrava a correlação entre sexo e poder. Mas ainda não era o filme de terror que eu tanto sonhara.
Voltei para casa confabulando mil sonhos e planos. Precisava ser algo mais violento, mais repulsivo, mais sangrento, mais assustador, mais vil e infame. Algo recheado de zumbis, mulas sem cabeça, bruxas desnudas, decapitações e estripamentos.
Ou algo ainda mais horrível, um monstro original e único, algo como o Horla, de Maupassant.
Fiquei meses e meses com a idéia me tormentando, até que sabe-se lá de onde surgiu o título do filme e o nome da criatura, e disso veio, num jorro criativo, todo o enredo do filme, todas as mortes e banhos de sangue.
Agora não teria erro, pois eu conseguira algo ainda mais terrível que o Horla de Maupassant, algo mais nórdico, conseqüentmente, mais selvagem e assustador.
Mas meu produtor foi categórico na recusa, disse que iríamos tomar um processo e se recusava a filmar algo chamado “O massacre sangrento de Lars Grael”.
Parece que tinha um nadador ou iatista com esse nome, mas nada adiantou eu tentar explicar que nada tinha ver uma coisa com a outra, que meu filme não tinha lago, nem mar ou piscina. Mas o pior é que o cara era amputado e meu produtor disse que podia dar até cadeia um filme desses. Mesmo eu falando que era apenas coincidência o nome do monstro ser o mesmo do atleta, ele não cedeu, insistiu que eu mudasse o nome do monstro. Eu falei que seria impossível, pois não haveria nome mais assustador que o terrível Lars Grael, que o próprio som já faria as crianças terem pesadelos a noite. Pior ainda, todo o romance estava estruturado em torno do nome, de forma que se tirasse ele, acabava com tudo.
Voltei para casa com o manuscrito embaixo do braço determinado a eu mesmo filmar “o massacre sangrento de Lars Grael”, mas depois de um porre de uísque falsificado tive um pesadelo terrível onde o abominável Lars Grael me perseguia com sua centena de tentáculos e raios de necrose. Acordei suado, em pânico, queimei a única copia impressa e destruí todos os rascunhos no computador. Era o fim de um sonho.



 Escrito por Fonjic às 13h31 [ ] [ envie esta mensagem ]