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Uretrite: contos de Fonjic
 

Protelando

 

            Entrei correndo no beco escuro, ofegante. Era noite e chovia e meus perseguidores estavam em meu encalço. Era apenas uma questão de tempo e eu seria apanhado. Eu já não tinha mais fôlego, não tinha mais vontade, não tinha ânimo de ir em frente, de prosseguir fugindo.

            A idéia de me render e aceitar o encontro fortuito com a morte piscava em meu cérebro. Mas, não, eu não daria a eles ainda o gosto de me apanharem, tudo que eu precisava era de um pouco mais de tempo, protelar as coisas de forma que pudesse pensar numa saída.

            Experimentei uma das portas e descobri uma saída de emergência de teatro. Entrei por ali e me misturei aos atores, logo indo ao palco.

            Meus perseguidores estavam por ali, eu podia sentir, mas não poderiam me matar enquanto eu estivesse no palco. Atuei durante anos naquele palco, enquanto ganhava tempo tentando encontrar uma fuga que me permitisse resolver aquela situação e voltar a minha vida.

            Um dia engendrei um plano e, em meio ao show de mágica, fugi por um alçapão indo direto ao porto. Com isso eu teria algumas horas de vantagem sobre meus algozes, mas ainda assim eu não estaria livre para viver.

            Entrei escondido no navio, indo primeiro para Luanda, na Angola. Descemos a costa africana dando a volta na África do Sul e chegando em Maputo, em Moçambique. De lá o navio rumou pelo oceano Índico, passando por Comores e Seychelles, até a Austrália.

            Era muito longe ali do meu caminho, mas eu sabia que ali também me achariam. Continuei escondido na viagem que agora se estendeu por dezenas de nações da polinésia e micronésia, passando por Vanuatu e Tonga e, finalmente, chegando a Pitcairn.

            Ali parecia um bom lugar para eu ganhar tempo e desembarquei. O país, com setenta habitantes, fora colonizado por um grupo de marinheiros amotinados, que após tomarem conta do navio passaram no Taiti e rumaram com várias mulheres para fundar a nova nação. Em pouco tempo só um dos homens ainda estava vivo, habitando a ilha com onze mulheres e vinte e três crianças. A principal fonte de renda do país atualmente é a exportação de selos postais para colecionadores.

            Ali consegui ganhar tempo e vivi mais trinta anos, saindo de lá quando finalmente meus inimigos se preparavam para me atacar naquela ilha. Antes de partir me fizeram uma estátua em minha homenagem, por ter contribuído aumentando a população local em vinte por cento.

            Finalmente, já perto da velhice, pude voltar para cá sabendo que todo o tempo a mais que ganhei foi em vão, e meus algozes já me esperam no porto trazendo a morte certa.

 



 Escrito por Fonjic às 12h59 [ ] [ envie esta mensagem ]