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Uretrite: contos de Fonjic
 

Diógenes eterno

            Bons tempos aqueles em que Diógenes andava por aí de dia com uma lâmpada na mão procurando por um ser humano. Por mais que se esforçasse, só encontrava canalhas e pilantras, nem um único ser humano.

            Ele viveu há 2400 anos, é verdade, mas pouca coisa mudou de lá pra cá. Viveu por anos em Atenas num barril, dizendo que era tudo que precisava para viver. Costumava a urinar em público, inspirado nos cachorros, pregando assim um retorno da humanidade ao estado natural. Ao ser perguntado o que queria que lhe fizessem quando morresse, pediu que jogassem seu corpo no mato para ser comido pelas feras e que lhe dessem uma vara para espantar os bichos. Mas você estará inconsciente, retrucaram seus interlocutores. Se eu vou estar inconsciente, pra que vou me preocupar com o que será de mim quando estiver morto? Com essa pergunta, Diógenes conseguiu mostrar o quão fútil e vazia era a preocupação com o destino que se daria ao seu corpo, uma armadilha retórica perfeita, uma vez que havia forçado os interlocutores a apontarem o estado de inconsciência.

            Por viver como os cães se lhe associou logo a imagem destes, sendo Diógenes considerado o primeiro cínico da história, palavra que se origina da expressão grega para cachorro. Ao ser criticado por se masturbar em público retrucou: quem dera eu também pudesse saciar minha fome apenas esfregando a barriga!

            Conta-se ainda que, já velho, vivendo em Corinto, foi abordado pelo maior imperador até então: Alexandre, o Grande. Alexandre se aproximou emocionado de Diógenes enquanto ele descansava sob o sol e perguntou se havia qualquer coisa que pudesse fazer pelo velho sábio. Diógenes apenas disse: sim, por favor, saia da frente do sol.

            Como faz falta hoje em dia um Diógenes! Outro dia ainda eu sofri com o assédio de uma pesquisadora que não se conformava por eu não ter nenhum aparelho de rádio em casa, nenhum carro ou celular e apenas uma televisão. Até dessa única tevê já penso em me livrar, disse pra incrédula entrevistadora.  Ela ficou em silêncio, perplexa, e rabiscou algo na prancheta. Mas nem internet, email?

 Resolvi aliviar um pouco e confessei. Tá bom, email eu tenho, é que não gosto de divulgar por aí para não ficar recebendo fotos de mulheres de biquíni. Passei o email para ela que anotou e encerrou a pesquisa. Chego em casa e quando abro meu email vejo lá, a primeira coisa, uma mensagem dela contendo uma foto em trajes de banho. Ééé..., pensei, até que isso não é tão ruim assim.



 Escrito por Fonjic às 13h23 [ ] [ envie esta mensagem ]