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Uretrite: contos de Fonjic
 

Aquela dama

            Eu tinha cerca de 18 anos e tinha pressa de crescer e de viver e quebrar a cara contra o muro ou rolar na sarjeta ou qualquer coisa que me livrasse daquela vida insípida que me parecia destinada.

            Tinha um bar no centro da cidade, numa ladeira escura e pouco movimentada, que eu costumava freqüentar quando escapava de minhas aulas noturnas. O andar de baixo era um grande balcão em forma de U, mal sobrando um espaço lateral por onde nos espremíamos para subir ao segundo andar, um lugar com pouca luz onde alguém com cerca de 18 anos fugitivo das aulas podia sentar e relaxar e escrever uns poemas e beber alguma coisa.

            Um dia chegaram duas donas e sentaram na mesa do lado. Vestido curto, meia calça arrastão, todos os acessórios e técnicas da profissão. Logo nos lançaram olhares e nós retribuímos e em pouco tempo estávamos na mesa delas bebendo juntos e namorando, meu amigo atracado na morena e eu na loira, que ele não havia gostado porque disse que tinha cara de colona tirolesa.

            Acontece que tinha ali uma peculiaridade no bar, que ficava na frente de uma casa de massagens e no lado de um estabelecimento de venda de uísque. As donas em questão trabalhavam no estabelecimento da frente durante a tarde e no estabelecimento do lado depois das 9 da noite, tendo aí então uma janela de três horas na agenda de trabalho para buscar novos fregueses nos bares da redondeza.

            Mas eu tinha cerca de 18 e não queria nem saber do status profissional dela e tudo que eu pensava era em estar com uma mulher perfeita como aquela. E eu não tinha nenhum dinheiro para pagar e queria mesmo era casar com aquela mulher e morar num quartinho com o dinheiro que ela faria de noite para sustentar os dois.

            Ela disse que eu poderia ir viver com ela, mas não poderia ficar ali comigo aquele dia pois precisava ir trabalhar. Eu devia aparecer amanhã durante a tarde e iríamos para a casa dela.

            No dia seguinte, um sábado, a tensão fazia meu coração explodir forte o sangue em minhas têmporas quando peguei o ônibus e fui para o centro encontrar aquela dama naquele dia que mudaria minha vida. No caminho encontrei uma amiga de escola e começamos a falar de coisas da vida e na hora de deixá-la me deu um nó porque não sabia explicar aonde eu ia e acabei ficando lá, aproveitando aquela conversa com ela sobre coisas adolescentes.

            Nunca fui ao encontro, nem mudei para morar com ela, nunca mais a revi e, a bem da verdade, nem sequer 18 anos eu tinha ainda e no fim o medo da vida e da maioridade e da cara no muro era ainda grande demais.



 Escrito por Fonjic às 15h57 [ ] [ envie esta mensagem ]



Exbriada

            Amigo meu, bem amigo, tem ficado mais próximo depois que se separou da mulher e tem se dedicado a cozinhar de madrugada, depois de ter tomado umas doses a mais de lubrificante de humor. Acho que depois de uns trinta anos de contato, estou finalmente começando a conhecê-lo, isto é, descobrir quem ele realmente é.

            O casamento fizera, enfim, algum bem a ele. Foi como uma dessas experiências quase-morte em que a pessoa toma um susto e volta completamente mudada. Da mesma forma aconteceu com ele, dez anos casado sem contato com o mundo exterior vendo dia a dia sua personalidade e subjetividade sumir, se extinguir, aniquilar-se por aquela situação terrível e opressora, praticamente como um coma.

            A mulher, que há tempos já não consumava o casamento com freqüência, deu a ele a última dica que o que ela queria era um pedreiro e não um marido, quando disse que os casais precisavam construir algo juntos. Com isso, então, finalmente, de estalo, aquela coisa que parecia morta ressurge, possui o copo dele como um Dybbuk se apoderando de um corpo depois que os judeus morrem. Meu amigo, Herr Arschbohrer e a patroa, separaram-se. Ele virou colunista especializado em cobrir um novo ramo culinário chamado drunk cooking, e outro dia mesmo pude provar uma de suas mais novas e amargas invenções que ele chamou de pão de tudo, uma massa grossa à base de cacau, farinha de trigo, de centeio, amido de milho, levedura de cerveja, farinha de banana verde, orégano, nata e ovos. Eu falei para ele que o nome era horrível, pior que o gosto, e que se ele quisesse que o prato realmente decolasse na alta culinária ele precisaria arranjar um nome melhor, ao que ele disse então que, como eu havia sido a cobaia, ele mudaria o nome em minha homenagem para fonjiquetas. Como são feias as fonjiquetas! Mas não recusei a idéia porque, afinal, a chance de um dia alcançar a fama imortal pelas fonjiquetas ainda é maior do que através destas infames linhas.

            Outras mudanças ocorreram ainda nele. Como um verdadeiro possesso, sua linguagem tornou-se críptica e obscura, como se fosse um arauto do fim do mundo a espalhar uma nova sociedade. Outro dia, mandou-me uma mensagem: r ja bebadi, asdando uns paezinhos e oyvindov salisbury ( poirea de celular cpn reckafo pewuebo). Não entendi nada, mas acho que dizia alguma coisa a respeito da mãe dele adoecendo e percebendo alguma poeira nas células dela, ou algo assim. Klaatu barada nikto, respondi a ele.



 Escrito por Fonjic às 15h55 [ ] [ envie esta mensagem ]